A maior parte dos teóricos descreve a adolescência como sendo uma etapa de crise. Crise de identidade, crise relacional, familiar, crise de auto-estima, de falta de sentido para a vida. A referência maior é a de que esse é um estágio atravessado por conflitos, dúvidas, inquietações e mal-estar. Concebo a crise, como algo que é próprio do sujeito, quando nele se operam intensas transformações. Nesse sentido, a crise da adolescência é expressiva do crescimento que nela se dá; crescimento marcado por desorganizações físicas, hormonais, psíquicas, emocionais e por consequentes reorganizações. Toda crise nos coloca diante de emergências, enfrentamentos, superações, desafios. Em culturas orientais, o termo significa “oportunidade e perigo”, veiculando idéias de promessas e receios, que são típicos do que é vivido em um estado emergencial de mudança.
A sexualidade vivida pelo adolescente ganha a feição do contexto cultural em que ele se insere. A sexualidade é plasmada pela linguagem e pelos valores vigentes nessa época. Não há uma determinação biológica que mantenha um definitivo acerca do sexual. Nada está definitivamente estabelecido. Costa diz: “Tudo está permanentemente sujeito à revisão, pois cada sociedade inventa a sexualidade que pode inventar” (in Catonné, 1994).
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